Tive o prazer de assistir a peça Bartebly, adaptação teatral do conto "Bartebly, o Escrivão" do americano Herman Melville.
O espetáculo é ambientado em um cartório que vê sua rotina transformada com a chegada de Bartebly, um novo contratado que, pacificamente, se recusa a cumprir as ordens do patrão.
O dono do cartório, com seus dois funcionários convencionais que participam corretamente do funcionamento da máquina, se encontram em uma situação em que o novo escrevente se torna um problema a ser resolvido. Afinal, se você não se enquadra no sistema deve ser eliminado dele?
O espetáculo, muito bem conduzido pela direção marcante de Linaldo Telles traz à tona, de maneira sutil e metaforizada, discussões atuais e pertinentes sobre liberdade de escolha, autoritarismo, assistencialismo, falta de moradia, fome, direitos trabalhistas, responsabilidade social, o mais forte sobre o mais fraco, conflitos entre caráter e interesses pessoais e muitos outros temas urgentes da organização social contemporânea.
Com ação em cena o tempo todo, um excelente trabalho de atores, o espetáculo prende a atenção do público do início ao fim, nos envolvendo cada vez mais na história e nos conflitos relacionados a Bartebly, sua resistência pacífica, a falta de preparo do sistema para lidar com quem não se encaixa nele, egoísmo, posse e outras mazelas humanas. Alguns momentos de humor ácido e sutil, explorando o melhor do tempo dos atores, dão uma pontuada interessante em meio à seriedade das situações propostas.
Cenário e figurinos bem cuidados apresentam uma bela fotografia e revelam todo o profissionalismo e qualidade das produções teatrais em São José do Rio Preto e o talento exuberante de Linaldo Telles.
Parabéns aos atores Eduardo Oliveira, Gustavo Bazzi, Marcio Amantea e Zé Tomaz.
Seria equivocado destacar alguém, pois estão os quatro em total sintonia e comprometimento com o trabalho, sendo todos protagonistas e coadjuvantes do seu próprio espaço cênico, todos necessários e parte orgânica do esquema.Recomendo!
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terça-feira, 13 de novembro de 2018
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Curva acentuada à esquerda
Na eleição passada eu era adepta ao antipetismo cego e fui percebendo que algumas das pessoas que eu mais admirava (cultural e intelectualmente) defendiam a esquerda. Eu não entendia, achava que eles estavam emburrecendo ou enfeitiçados, eles diziam que a enfeitiçada era eu. Antes do Impeachmeant que eu apoiei (mas ja apaguei as fotos do Instagram, tenho vergonha) os meus amigos diziam: "Denise, quando o Temer assumir ele vai acabar com os direitos do trabalhadores pra agradar aos empresários, vai encerrar a previdência pra agradar os banqueiros, vai liberar o preço da gasolina que o PT segura, vai leiloar nosso pré-sal"
Bingo! Aconteceu tudo o que eles previram. São videntes? Não. Enxergavam o outro lado da coisa. Não foi o PT que institucionalizou a corrupção: ela já era institucionalizada. Ele apenas não conseguir acabar. Mas tentaram, porque se você ver bem, o governo do PT criou mecanismos pra investigar corrupção e foi a primeira vez que finalmente vemos corruptos sendo investigados e presos. Não é que não existia a corrupção, a gente é que não via. (lembra do áudio do acordão com supremo com tudo, né? a Dilma rodou porque era durona demais e permitia investigar muito)
PT não é santo não, teve muitos erros mas teve acertos importantes. O tão odiado Lula é bem visto no mundo todo como um pacificador que tirou o Brasil do mapa da fome. Eu acho ele um filha da puta arrogante do caralho que achou que poderia eleger um poste mesmo de dentro da cadeia. Mas antes de tudo, ele é um chefe de Estado acusado de ser o chefão da porra toda, mas tá preso por um apartamentinho na praia que nem era dele ainda, mas não vou entrar no mérito jurídico.
O textão era pra justificar minha curva acentuada à esquerda nesse momento, já que sou liberal e não estranhe se na próxima eleição eu apoiar o Amoedo. Pasmem, existem livre pensadores!
Mas já que falamos em julgamentos, é estranho que para muitos políticos apareçam gravações, malas de dinheiro, conta no exterior e bem, ninguém pegou Lula e Dilma com clareza. Já Aécio, até ameaçou matar o primo, o supremo não deu um pio, tucano nunca vai preso, vocês votaram no partido dele PSDB pra eleger o governador (que foi um traíra com a cidade de São Paulo e com seus correligionários, e só por isso merecia ser escurraçado)
Mas enfim, é isso, eu comecei a ver os fatos além do meu ódio exagerado ao PT. E vi que existe uma indignação seletiva. Um terrorismo político ameaçando com um comunismo que nunca viria. Postam fotos do Lula com Fidel e Maduro, ignoram fotos dele com Obama e a Rainha da Inglaterra. PT adora o capitalismo opressor e você sabe disso. Eu sou a intelectual do povão, percebi que não tinha o menor cabimento apoiar diretrizes conservadoras (na boa, conservar o quê?! não tá dando certo!) e as progressistas são bem mais a minha cara: direitos humanos, fim da violência pela Educação, proteção às minorias (porque ainda precisam: negros ainda precisam de cotas, ideal seria se não precisassem, mas você não conhece médicos negros, seu dentista não é negro, poucos amigos advogados negros, e se eles são metade da população isso não deve ser uma coincidência)
Não sou uma pessoa religiosa, não sei se acredito em Deus (parece que não tem ninguém no controle dessa bagaça) mas se fosse crente talvez pensasse que Deus está do lado dos que matam a fome dos que precisam. É isso.
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