Tive o prazer de assistir a peça Bartebly, adaptação teatral do conto "Bartebly, o Escrivão" do americano Herman Melville.
O espetáculo é ambientado em um cartório que vê sua rotina transformada com a chegada de Bartebly, um novo contratado que, pacificamente, se recusa a cumprir as ordens do patrão.
O dono do cartório, com seus dois funcionários convencionais que participam corretamente do funcionamento da máquina, se encontram em uma situação em que o novo escrevente se torna um problema a ser resolvido. Afinal, se você não se enquadra no sistema deve ser eliminado dele?
O espetáculo, muito bem conduzido pela direção marcante de Linaldo Telles traz à tona, de maneira sutil e metaforizada, discussões atuais e pertinentes sobre liberdade de escolha, autoritarismo, assistencialismo, falta de moradia, fome, direitos trabalhistas, responsabilidade social, o mais forte sobre o mais fraco, conflitos entre caráter e interesses pessoais e muitos outros temas urgentes da organização social contemporânea.
Com ação em cena o tempo todo, um excelente trabalho de atores, o espetáculo prende a atenção do público do início ao fim, nos envolvendo cada vez mais na história e nos conflitos relacionados a Bartebly, sua resistência pacífica, a falta de preparo do sistema para lidar com quem não se encaixa nele, egoísmo, posse e outras mazelas humanas. Alguns momentos de humor ácido e sutil, explorando o melhor do tempo dos atores, dão uma pontuada interessante em meio à seriedade das situações propostas.
Cenário e figurinos bem cuidados apresentam uma bela fotografia e revelam todo o profissionalismo e qualidade das produções teatrais em São José do Rio Preto e o talento exuberante de Linaldo Telles.
Parabéns aos atores Eduardo Oliveira, Gustavo Bazzi, Marcio Amantea e Zé Tomaz.
Seria equivocado destacar alguém, pois estão os quatro em total sintonia e comprometimento com o trabalho, sendo todos protagonistas e coadjuvantes do seu próprio espaço cênico, todos necessários e parte orgânica do esquema.Recomendo!
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