Ontem eu fui ao Centro, aquele em que eu não lembrava o nome no post passado, o Lucas Peres Neto, hehehe, fiz questão de gravar. Lá é gostoso porque, às terças, não tem palestra, o condutor faz uma prece, todos ficam concentrados e os frequentadores dão passe uns nos outros. Foi um lugar em que gostei de ir; tenho um pouco de preguiça de Centro Espírita, porque, embora eu ache o máximo e me beneficie super do momento do passe, tenho dificuldade de acompanhar e uma certa preguiça de assistir à palestra. Acho tudo muito bonito, mas a impressão que eu tenho é que já sei o que se diz ali, sabe? A gente tá cansado de saber que é preciso praticar o Bem, se desapegar das coisas materiais, que a vida continua. No fundo a gente sabe tudo isso, não pratica porque não pratica. Tento ser uma pessoa boa e não ter (muito) apego às coisas da Terra que não tenham vida. Nem sempre a gente consegue, né?
Quando da ocasião da minha mudança, vendi algumas das nossas coisas, nem cabia tudo na casa da minha mãe. Nem penso mais nas coisas que se foram, mas me lembrava sempre do balde de cobre. Esse balde é um balde de gelo, um palmo de altura por mais ou menos um palmo de largura também, de cobre maciço, usado como uma simpática lixeira da sala. Nos últimos meses, dormíamos no andar de baixo, porque a Nana não conseguia subir as escadas. E ela usava muito o baldinho de cobre como lixeira, gostava muito dele. E eu tinha vendido e me arrependido.
Desde que a Nana morreu, algo que tem me consolado razoavelmente é acreditar ser ela um espírito muito, muito forte mesmo, pois pra mim, ela tem capacidade de mexer com o tempo. Vários acontecimentos até hoje me levam a crer nisso, a começar pela chuva torrencial que caiu no dia do seu velório, tempestade fora de hora em junho, mês de estiagem. Também no dia da cremação o tempo fechou, também junho, quando ela sempre sofreu com o tempo seco e falta de chuva. E outras coisas que estão relatadas, tudo bonitinho, qualquer dia conto em detalhes. Enfim, acho que a alma de Nana Salomão tem poder suficiente pra mexer com o tempo ao meu redor. E o inverno aqui por estas bandas já ia pelo fim, o tempo fechou e virou. Esfriou e ontem até choveu. Quando fechou de repente, eu lembrei na hora do baldinho de cobre. Poxa, maior viagem a minha achar pela minha vida inteira agora que quando chover é a Nana me pedindo alguma coisa, mas gente. Amanheceu chuvisquento, lá fui eu atrás do balde de cobre pra comprar de volta. O homem do antiquário me atendeu, eu disse que queria comprar de volta meu balde de cobre, ele ainda não havia vendido, a mulher do homem do antiquário me devolveu correndo enquanto falava "diz que não traz boa sorte vender objeto que a pessoa gostava muito". Então voltei pra casa carregando meu baldinho. Por um momento, eu quase pude sentir o cheiro da respiração dela ali. Eu quase pude, a Pandora pôde de fato. Ficou toda feliz abanadeira de rabinho enquanto enfiava a fuça dentro do balde. Ele está agora aqui comigo, com quem deve permanecer para o resto da minha interessante vida.
Bom, gente, já escrevi muito, tá ficando cansativo, mas para encerra a história só te falo uma coisa: faz meia hora que o baldinho de cobre voltou pra casa e o céu já tá azul azul na minha janela. O tempo abriu de novo, tem gente contente lá em cima!
Beijos, Paz e Luz!
Nenhum comentário:
Postar um comentário