Sinto saudade, ela vem em ondas. Às vezes calma e mansa, outras ressaca destrutiva.
Aos poucos, vou retomando a noção de tempo espaço que se perdeu em algum lugar, entre o abrir e o fechar dos olhos, num momento em que se pode mudar tudo. Tenho manias de diretor: coloco os personagens onde quero, mudo seus finais, ignoro esse roteiro mal escrito que nos coube viver.
A vida tem sido meio momentos bons, meio angústia. Incertezas não me incomodam mais e a espera há de ser doce, como não? Aguardo.
O tempo tem passado, devagar me conduz de volta ao pulso do mundo. Eu sei, eu sei, é questão de me encaixar de novo. Pulsar também, porque por agora, são três meses de um vazio tão imenso que quase cabe minha saudade. São dias de contemplação, resgate e memória.
Aos poucos e sempre, ele, esse misterioso tempo, dá sinais de sua sequência. As novelas que víamos juntas vão acabando ou entram na reta final. No rádio, as músicas deixam de ser as que você gostava e dão espaço às que você não conheceu. Minha pessoinha solar, risonha e explosiva, cheia de atitude e autoridade, em uma aparência frágil e ar desprotegido. Só quem te conheceu sabe dessa ambiguidade. Marcante, intensa, forte. Parecia grande! Você que era minha pessoa, agora é minha saudade e vai ser sempre o meu grande amor. Minha lembrança mais gostosa, de dias risonhos em que sempre se tem que sair à rua e ver a cor do céu. Porque os dias de Sol são mesmo de alegria, mas acreditar que até as nuvens cinzas são pra se comemorar apenas por estarem ali, Nana, só você, minha linda. Pular cedo da cama, feliz, cantando, de segunda a segunda, quem mais? Esse amor incondicional à vida, quero levar sempre comigo de você, porque eu sou uma pessoa comum que não nasceu aprendendo a celebrar todos os dias nossa intrigante existência. Aprendo enquanto espero.
Quando falo sobre o tempo... amanheceu nublado hoje ao redor de mim. Não temos muito o que comemorar, não é mesmo? Como isso foi acontecer com a gente? Era tão bom você aqui... E agora, como faz? Eu não pensei que seria fácil, mas...
São três meses de um tempo que se arrasta, três meses e a dor não cede.
Mudar o final triste do nosso filme eu não posso, mas hei de ter em você sempre a lembrança de dias lindos e felizes e fazer da nossa história minha maior inspiração.
Te amo!!!
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