sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pandora vê o que a gente não vê

Ai, ai, viu?
Ontem aconteceu uma coisa super gostosa!
Cheguei da rua e veio a Pandora, como sempre, fazer a maior festa, muita alegria, pegar um osso, um brinquedo, alguma coisa pra trazer pra gente. Digo, pra mim. Ela fez a festinha, eu fiz agrado, conversei, elogiei, falei "ai, que lindeza da mamãe!", aquele ritual de sempre de chegar em casa para os que têm cachorro. Cheguei, guardei a bolsa no quarto, parei na soleira da porta entre o quarto e o hall e fiquei mexendo em alguma coisa no aparador, sei lá, organizando. E Pandora ainda fazendo festinha, mas meio que já parando, parou e ficou sentada estátua no meio da sala com o ossão e a bolinha na boca. Sim, gente, Labradores conseguem e adoram carregar mais de uma coisa ao mesmo tempo na boca. Então parou e olhou fixamente nos meus olhos, como sempre faz. Sabia que há estudos indicando que um dos fatores determinantes para os antepassados dos cães conseguirem nos conquistar foi justamente sua capacidade de nos olhar nos olhos? Eles nos encaram sempre, não fogem do nosso olhar mas nem na hora da bronca. Se fazem arte, nos miram com seus ares de coitadinhos, mas autênticos como poucos humanos, sustentam nosso contato sempre. Alguns cientistas garantem que foi por isso que, por ser o único animal com essa capacidade, eles nos domesticaram, não pera!
Enfim, o que eu falava? Eu tava contando da Pandora me olhando nos olhos com os brinquedos na boca. Eu sorrindo pra ela, respondendo seu contato, ela olha pro meu lado e sustenta o olhar fixamente para o... "nada"?. E olha pra mim de novo e olha pro "nada" de novo. Isso foi três vezes, e eu olhando também pra onde ela olhava porque gente, eu quero ver. Eu juro que eu não vou ter medo, eu quero, eu preciso ver a Nana. Procurei e não vi. Mas eu acho que temos um sentido a menos que os cães. Sei lá, esse negócio de eles não verem todas as cores, vai saber o que eles vêem no lugar. Não sei se era a Nana ali do meu lado porque eu não vi. Mas a Pandora viu alguém que ela não estranhou. Daquelas doidinhas, né? Não sei se era a Nana, mas tenho certeza que era! hahahaha
Essas bobagens invadem meu coração de alegria, me lembram que todo o amor que eu sentia não passou. Acho que nunca vai acabar. Não acaba.
Ontem me questionei se eu vou querer uma outra vida com alguém, uma outra pessoa, ou se vou terminar como essas senhoras que perdem o marido e nunca mais se casam novamente. Acho tão lindo isso, pessoas que passam a vida inteira esperando pra reencontrar seu amor. Acredito ser a história mais linda que alguém possa viver. A espera pelo fim. Não que eu tenha pressa, tá bom aqui também. Tô acostumando de novo com existir. A vida é outra sem o meu amor, mas ainda é vida, afinal. Mas acho que gostaria de viver essa história, uma história de espera. De ver todos os dias o sol chegar e partir e me alegrar com mais um sol chegando e sempre sozinha comigo e com o meu amor que eu sinto. Será?
Não quero abandonar jamais o que eu sinto por ela. Quero sempre que assim seja, que eu possa guardar bem gostoso em mim esse sentimento de amor.
Te amo, Nana, pra sempre!
Com saudade, Paz e Luz

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