Somos humanos, quando perdemos humanos queridos entramos em contato com a dor, e não raro, em desespero.
Eu nunca fui uma pessoa muito religiosa. Minha mãe sempre foi alheia às coisas inexplicáveis, embora tenha sonhos premonitórios desde que eu era criança e ultimamente tem frequentado bastante centros kardecistas.
Meu pai dizia não acreditar em Deus, pois minha avó Helena, bondosa e religiosa, rezara por noites e noites a fio pela vida do meu tio, que ainda assim morreu jovem.
Mesmo assim, em consideração mais às avós do qualquer outra coisa, acredito, nos fizeram fazer primeira comunhão, mas nunca nos obrigaram a seguir adiante, frequentar missas ou algo parecido.
Quando a gente não frequenta com assiduidade alguma religião e não acredita com devoção e sinceridade em qualquer uma delas, a dor da perda torna-se quase insuportável, pois não existe o consolo que a prática religiosa sempre traz.
Pois quando perdi minha Nana entrei em desespero de dor. Dor doída, dor aguda, chega a ser física mesmo, dá um nó no estômago e umas agulhadas no peito. E como me carecia um pouco de Fé, deitei procurar estudos científicos de vida após a morte e de comunicação com o mundo deles. Fui cair em uma página sobre "Transcomunicação Instrumental", que é o registro através de gravações e filmagens dos espíritos tentando se comunicar conosco. Como logo no comecinho sonhei que a Nana dizia que se comunicaria comigo através de gravação, tento diariamente gravar dois minutinhos de som ambiente pra ver se pego alguém habilitado pra mandar sinal pra gente.
E hoje aconteceu. Gravava na varanda, onde faço sempre, na cadeira onde Nana diariamente se sentava pra tomar o seu solzinho da manhã. E por volta de 1:00m, uma voz diz: "Fé... Luz..."
Isso foi o suficiente pra me deixar alegre e risonha o dia todo! Não parecia a voz da Nana, parecia voz de homem, mas era metálica, pode muito bem ser a alma dela transfigurando as ondas sonoras pra formar mensagem.
Isso é bom demais, saber que estou acertando. Que vou conseguir mais do que evidências impressionantes, provas incontestáveis da continuidade da vida e inexistência da morte.
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