quarta-feira, 31 de julho de 2013

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Essa noite não teve sonhos nem regressões, mas ontem aconteceu algo fantástico. Ou melhor, aconteceu mês passado, mas só percebi ontem.
Quando a Nana foi cremada, não fui eu quem assinou para retirar, pois não estava em condições de tomar providência nenhuma. O fato é que atrasou a cremação, foi feito só depois de uma semana, e naquela semana de dor, estava com a sensibilidade à flor da pele. O dia da cremação foi muito triste, foi num sábado também, como sua partida. Na segunda, eu sabia que já estava pronto para retirar. Mas a pessoa responsável, da família dela, não foi retirar logo. Na semana, ninguém me dava notícias, comecei a pressionar, mas eu estava muito, mas muito incomodada mesmo por saber que as cinzas da Nana estavam lá, que, se ela estivesse por aqui ainda, certamente estaria muito irritada com essa demora para trazê-la de volta pra casa.
Eu estava muito incomodada com isso. Eu sabia que não resolveria, porque essas coisas de pessoa autorizada é difícil, né? Mas mesmo assim resolvi ir até o crematório tentar resgatar minhas cinzas, o resumo da matéria da minha amada, algo pra mim (e pra alma dela) muito caro e de muito valor. Pensei, eu vou até lá, pelo menos a Nana vê que eu tô tentando fazer alguma coisa, que não a abandonei numa estante de cemitério.
Lá chegando, como eu previa, o sr. agente funerário, o Franco, homem grande, claro de pele e cabelos grisalhos, de olhar calmo e voz pausada, não quis me entregar as cinzas da minha Nana. Muito solícito, ele me mostrou o papel onde estava o nome da parente autorizada a retirar e me disse que reconhecia a nossa união, sabia que eu era a cônjuge, pois constava meu nome como dependente no plano de cremação que a Nana havia feito. Oi? Eu nem sabia que ela tinha feito plano de cremação, muito menos que eu estava como dependente. Porque eu disse pra ela que gostaria de ser cremada também (bom avisar família dessas coisas, né?), ela fez esse plano pra ela e me colocou de dependente dela, olha quanta lindeza! Mas que, como não fui eu que conduzi a burocracia da cremação, não pude sair de lá carregando meu vaso com as cinzas. Não deu certo minha empreitada, mas saí de lá bem mais aliviada. No caminho pra casa, disse, em voz alta, como se ela me ouvisse, como tenho feito "você viu, eu tentei" E tudo ficou bem novamente entre nossas almas.
O tempo passou e ontem, ao dar entrada no processo de pensão por morte, faltou provas da minha união estável com a Nana, pois o contrato que a gente fez em 2008 ainda não era casamento (como é hoje), mas valia como uma prova, o comprovante de residência como outra prova e agora eu tenho que apresentar documentos mostrando que eu era dependente dela em alguma coisa. O plano de cremação é a prova que eu precisava para entrar com esse pedido.
E é aí que aconteceu toda a magia da coisa... lá atrás, quando ela foi cremada, eu estava agoniada, pinicativa, parecia que a Nana estava me catucando pra ir naquele cemitério. Não deu certo o objetivo que me levou até lá, mas ali eu tive a informação que precisei ontem pra conseguir minha pensão: eu estava inscrita como dependente dela no plano Prever. Decerto, naquele dia, ela me cutucou pra ir pra lá e quando eu cheguei, ficou cutucando o Franco pra me mostrar o contrato em que constava meu nome na condição de cônjuge. Porque eu precisaria dessa informação, como de fato precisei. Gente, quando eu me liguei, me dei conta disso, eu fiquei tão feliz, mas eu chorei tanto! Vê se isso não é uma evidência super forte de que ela continua existindo, está por aqui e me ajudando? Virou um anjinho, minha Nana, cuida de mim, fala comigo e eu entendo sempre o que ela quer dizer.
Perceber essa armação dela pra me levar até lá, pra me ajudar, me ajudou demais nesse processo de acreditar em coisas que não podemos ver, ouvir ou tocar.
Isso só pode significar uma coisa: a vida segue!
Beijos a todos, muita Paz, muita Luz!
:)

5 comentários:

  1. olha ha um tempo atras, geralmente qd eu deitava para o basico cochilo da tarde (afinal nao abro mao dele) eu relaxava e meio que adormecia de forma diferente, era como se todo o meu corpo formigasse ou melhor adormecesse como quando nosso pe dorme sabe. e aconteciam coisas diferentes. DUVIDA: seu corpo adormece tambem??

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    1. Sim, Claudia, às vezes dá um tipo de formigamento mesmo. Mas nem sempre tenho essa sensação. Às vezes, sinto a alma "desgrudar" do corpo mesmo sem a sensação de dormência. :)

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  2. bom dia Denise! Tente relaxar esta noite, me imaginei na cena que mais gosto, no batelão do rio grande como se fosse pescar, depois me imaginei sendo o batelao(rs) nao deu muito certo pois comecei a ficar zonza era como se meu corpo fizesse o movimento do batelão, ai acabei desistindo, comecei a ficar enjoada, virei de lado e adormeci.Vamos ver hj como vai ser.. rs Abç

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  3. kkkkkkkkkkkkkkkk
    boa, valeu a tentativa. legal vc ter sentido a zonzeira do batelão, quer dizer que, de alguma forma, conseguiu se projetar até lá! ;)

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  4. é, rs... mas hj nao vou pra la nao, vou preferir algo mais solido... firme. kkkkkkkkkk Abç

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