sábado, 24 de agosto de 2013

Crise de enxaqueca

Ontem tive uma crise de enxaqueca. Foi a primeira desde que eu procurei o médico. Advinha se eu já tinha comprado o remédio que ele me receitou? Não, porque sou lesada. Fui até a farmácia em frente à escola em que tô fazendo o cursinho de Departamento Pessoal (eu arranjo cada uma!). Não tinha o remédio porque não era uma farmácia grande, de rede. Mas até aí minha cabeça já doía de latejar. O próprio farmacêutico me receitou um outro que ajudou bastante. Nem precisava de receita, tomei, mas não foi tarefa fácil assistir aula. Fiquei a maior parte do tempo lá fora, sentada em um banco de cimento na sombra, com a cabeça apoiada na parede esperando a dor passar um pouco. A minha vontade era bater com a cabeça na parede pra detonar a parte externa na esperança de parar de doer por dentro. Só que não, né? Eu posso parecer meio besta de vez em quando, mas não sou idiota. Ou já tentei isso antes, sei lá, sei que quase dormi enquanto esperava. Mas pelo menos resolveu, o remédio foi efeito. Foi a primeira vez na vida que tomei um remédio específico pra enxaqueca, agora diagnosticada.
Sou razoavelmente estável, mas tenho andado bipolar ultimamente. Choro, choro, choro, daí lembro de alguma coisa engraçada da Nana, começo a dar risada, converso com ela, fico brava que ela foi embora antes, falo que não quero saber dessa história de reencontro com ex-namorada depois que elas partirem, que ela vai se encontrar somente comigo! A gente tem D.R. ainda, pensa que não? Apesar dela habitar outro plano, consigo ouvir sua voz dentro da minha cabeça. E é engraçado que em nossas conversas, ontem ela usou uma palavra que gostava muito, acho que "insignificante", ela gostava de usar essa palavra e usou na nossa conversa. Acho que eu pedi perdão de novo por alguma briga que a gente teve no passado, ela disse que essas coisas são tão insignificantes pra eles, que um dia eu vou saber como é, mas que por enquanto eu não tenho com o que me preocupar, que ela só levou lembranças boas.
Por duas vezes, e isso eu não conto nem pra minha mãe que é espírita, eu não senti a Nana perto, senti a Nana como se estivesse em meu lugar. É como se a minha consciência tivesse dado uma licença, estava ali do ladinho, em segundo plano, dando lugar para a consciência dela. Ontem senti isso bem forte. Minha mente esvaziou, do nada, como se eu tivesse entrado em estado de meditação, mas nem estava relaxada, estava até em pé, enfim! E não busquei este estado, aconteceu! Comecei a andar pela casa achando tudo diferente, rindo, curiosa, meio que sem entender, ao mesmo tempo em que eu, aqui do lado, estava totalmente consciente mas apenas observando essa exploração toda da residência. E, bem, ontem mexi com o chifre de veado e as orquídeas, plantas que a Nana amava muito.
Tá confusa essa história né? Ok, está confuso pra mim também. Essa exploração ambiental aí da Nana usando meu corpitcho não durou mais que cinco minutos. Daí você pode pensar que é cedo pra ela conseguir esse tipo de permissão lá em cima ou sei lá pra vir aqui e incorporar em pessoas, no caso eu, mas eu te falo uma coisa, caro leitor: Nana, em vida, trabalhava em um departamento especializado em conseguir visto americano para brasileiros viajarem para os Estados Unidos. Vinha gente de outros estados diretamente pra ser atendido por ela. Quando a situação financeira do candidato a passageiro era mais ou menos, diziam que "se alguém em Rio Preto pode te ajudar a conseguir um visto americano essa pessoa é a Nana". Ela reunia documentação, conferia, organizava, deixava bonitinho, avisava quando a documentação era insuficiente. Dificilmente errava, era porreta!
Concluindo: mesmo se você for espírita e estiver achando que ela não teria "permissão" para chegar junto aqui, eu te digo que "conseguir permissão" não era problema algum pra alma daquela minha baixinha.
Sábados são dias alegres, sábados são dias difíceis, e eu sou doidinha doidinha!
:)


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