segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Previdência Social

Lá vou eu tentar conseguir pensão alimentícia pela morte da Nana. Nada mais justo, éramos um casal e sim, eu dependia dela tanto quanto ela dependia de mim e a nossa relação era uma bonita troca. Não tinha como trabalhar com ela dodói e mesmo agora, não há nada que o impeça, mas receber esse cuidado dela pro resto da minha vida é um direito e não vou abrir mão dele.
Trabalho, por enquanto, tive algumas propostas. O mais chato é as pessoas cobrando, tipo: "E agora, o que você vai fazer? Já tem planos, tem projetos?" Eu penso em fazer curso de orquídeas, trabalhar cuidando das orquídeas na casa das pessoas. É um plano, um projeto. Mas que droga, por que eu não posso apenas escrever? Por que eu não posso trabalhar como escritora? Por que escrever minhas histórias tem que ser algo que eu faça em "horas vagas"?
Me deixa, gente. Pra escrever tem que ler, tem que ver filme, tem que conversar com pessoas. Escritor não se sai bem atrás de balcão, embora eu seja uma pessoa tão fora da casinha que brilhei por dois anos na supervisão do Detran no Poupatempo da minha cidade. Mas não quero essa vida de novo, vida de stress, de cabelo branco, de corre corre pra lá e pra cá. Não, eu não. Quero a tranquilidade do ambiente caseiro, não a loucura do corporativo.
Sou escritora, caramba, me deixem. Parem de me cobrar e oferecer empregos, eu sou artista! E agora terei renda, então por favor.
Ah, desculpe o mau humor, hoje é segunda e mexer com os documentos da Nana pra dar entrada nesse processo realmente me desestabilizou total. Pra piorar, além de segunda, hoje é dia de TPM.
Ou seja, tchau.

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