sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mudança!

Primeiro dia na casa nova!
Sabe, foi mais fácil do que eu imaginava. Acho que porque eu trouxe minha cama, então não estranhei pra dormir. Meu café ficou igual, sinal de que as coisas mudam, mas não totalmente.
Ontem foi paulera, vieram os móveis pesados, a minha nova casa está no mais perfeito caos: coisas amontoadas, umas por cima das outras, caminhos obstruídos, armários vazios e chão cheio. Ainda não entreguei a chave pra família da Nana, mas hoje é o dia combinado. Ainda tem umas coisas de limpeza e cozinha que quero trazer, dar uma geral pra entregar bonitinha a casa. Cada vez mais tenho indícios de que o espírito da Nana consegue se expressar através do tempo ao meu redor. No dia da cerimônia de despedida, depois de tudo, choveu, mas choveu muito, caiu uma água lascada, alagamento e tal. Ok, não fosse Junho um mês muito seco aqui onde eu moro. A própria Nana já estava sofrendo com a estiagem, seu pulmãozinho castigado não funcionava muito bem no nosso inverno seco. No dia da cremação em si, quase uma semana depois, o tempo fechou completamente. Mas fechou de não passar um raiozinho de sol entre as nuvens espessas. Quando as cinzas dela estavam demorando pra ir pra casa, tempo fechado de novo no nosso inverno de histórico de estiagem. Foi só o vaso com suas cinzas chegarem, o tempo abriu de novo. E hoje, nosso último dia com a casa, o céu amanheceu fechadinho. Agora abriu um pouco, mas ainda tem nuvem. E olha, os Ipês já floriram, prenúncio de estiagem. Agora começa nosso suplício respiratório nessa terra sem florestas.
Bom, continuo morando próximo ao rio, hehehe, ainda bem!
Hoje é dia que a gente deve abrir a urna da Nana e dividir as cinzas. A mãe e a sobrinha querem jogar um pouco no jardim, eu também. Mas quero guardar o vaso com um pouquinho dentro ainda. Eu sei que ali não tem alma, ok, mas ah! É um instrumento de canalização de energia, seja como for. Converso com ela. E ela responde! :)
É isso, preciso passar na Secretaria de Saúde para devolver a bomba de infusão de insulina da Nana, que veio um pouco tarde... e seus remédios, mexer neles foi o que mais doeu porque a enfermidade dela aproximou demais nossas almas e cuidar para que ela se mantivesse viva era o que movia meu mundo.
Agora tenho a Pandora, pelo menos. Um ser Labrador preto enorme que depende de mim pra viver. Gente, ontem foi tão triste! Ela ficava observando os homens tirando os móveis numa tristeza, depois eu e minha mãe pegando as coisas miúdas, a caminha dela, a vasilha de ração. Quando minha mãe tirou o carro dela da garagem eu atravessei a rua pra pegar o meu e colocar, a Pandora veio atrás, eu mandei que ela ficasse, mas ela não obedeceu. "Fica Pandora, mamãe já vem!" Imagina, veio na minha cola. Ela é ensinada, super obediente, mas ela grudou em mim, tadinha, de medo de ficar. Ela muxou a orelhinha, enfiou o rabinho no meio das pernas porque sabia que tava desobedecendo e veio junto, não quis saber de ficar pra trás. Tive que colocá-la dentro do carro pra fazer a manobra. Muito inteligente, tadinha. Mas a noite foi tranquila, ela nem ficou latindo pra pedir pra ir embora, como costuma fazer. Entendeu que as coisinhas dela estão aqui, é aqui a casa dela. Ela era minha maior preocupação, minha filhota. Agora estou bem.
Com certeza absoluta que tudo vai ficar bem.
Achei que mudando de casa a saudade cedia, só que não. A Nana e a saudade dela me acompanham pra qualquer lugar, afinal.
Beijos e ótimo final de semana!

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