Essa noite caí da cama. 6:30h já tava em pé. Tentei fingir que eu não havia acordado, pois o despertador estava ajustado para as 7:00h, qualquer um sabe o quanto é preciosa meia horinha a mais de sono. Mas não teve jeito, virei pra uma lado, para o outro e por fim levantei, reclamando: "Ah, Nana! Precisa acordar tão cedo?", então escuto a voz dela dizendo "A gente tem muita coisa pra fazer, o dia tá curto!"
Gente, sério. De repente o meu emocional, pra se defender e não pirar com meu sofrimento, arranjou como fuga uma forma de canalizar a dor, transformando a Nana na minha consciência. Ganhei um grilo falante! Porque eu falo com ela desde o dia em que ela morreu, mas de umas duas semanas pra cá, ela começou a responder com muita frequência. Claro que isso ocorre dentro da minha mente, mas bobagem. Ela diz coisas que eu não diria. Eu, minha consciência, minha mente, diria: "Ah, meia hora a mais ou a menos num dia atribulado nem vai fazer tanta diferença assim, vai?" Eu tenho talento pra protelar. Eu não tenho organização, eu não tenho pressa, nunca.
Olhando do ponto de vista racional, que eu gosto de entender, essa nova consciência respondendo para a minha, essa voz diferente surgindo, pode ser uma descarga química de defesa. O próprio cérebro (sei lá!) se encarregou de dar um upgrade nas conexões aí pra eu não surtar, pirar ou desistir. Mas, do ponto de vista místico espiritualista, que muito mais me agrada, pode ser que a Nana já tenha conseguido uma permissão pra me guiar, ser um espírito protetor de mim, um anjo da guarda. Vê, ela foi doentinha a vida toda, nos últimos anos sofreu pra caramba e sempre foi uma valente guerreira que lutou pela vida com muita dignidade. E venceu por mais de quarenta anos, até ser vencida. Evoluiu bastante, acredito eu. Vai ver ela já é meu anjinho, já me proteje, já fala comigo, já consegue se comunicar. Em um momento de véspera de desespero em que eu quase me fiz de vítima dessa situação toda, pensei "ai, por que comigo?" apareceu a voz dela na minha cabeça dizendo "Enfrenta isso com dignidade, Dê. Por favor." O detalhe é que o "por favor" foi em tom meio de bronca mesmo. Como quando ela me ensinava sobre a vida. Ouvir sua voz tem me dado momentos de alegria novamente.
Concluindo: não acredito tanto em reações químicas cerebrais quanto acredito que Nana está para Denise como Emmanuel esteve para o Chico.
:)
E vamos que vamos, todos podemos fazer cada vez melhor.
Beijos, Paz e Luz!
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