domingo, 25 de agosto de 2013

Pandora descobrindo que é um cachorro!

Pandora, minha linda Labrador preta, menina de dentro de casa, comportada, criada em condomínio, uma princesa. Grande, forte, posuda, essa é minha Pandora. Mas agora, morando em casa na rua, ela está descobrindo o maravilhoso mundo de ser cachorro. Porque quando o caminhão de lixo desponta lá em cima e os cachorros da vizinhança começam a comunicação para expulsar os terríveis invasores da máquina barulhenta, Pandora já ergue a cabeça, curiosa. Eu consigo gente, juro que consigo captar o simples e rápido raciocínio da criança: "Todos latem. Devo latir!" E corre pro portão, latindo grosso com as costas arrepiadas. Mas o caminhão do lixo está longe, os amiguinhos latem em defesa de seus portões, correndo de um lado pro outro, Pandora senta-se confortavelmente com vista privilegiada para a rua e permanece latindo. Cachorrinha sim, mas cachorrinha muito elegante e bem educada, até na hora de latir pro lixeiro.
E continua sentada como uma lady, latindo grosso, sabe-se lá se por medo ou se por cumprimento de tarefa. Ela não parecia brava com eles, ao contrário, parecia ter um certo respeito e curiosidade por aquele negócio grande com homens correndo em volta e que causava tanto alvoroço na rua.
Tão logo o caminhão sumiu e a rua foi silenciando, ela levantou-se da sua bela pose de latir sentada, soberana, e voltou pra dentro, deitar no chão da sala pra ouvir a novela, uma pessoa da casa como outra qualquer. Imagina. Veio toda feliz, abanando o rabo, parecia não entender direito ainda o que estava acontecendo, mas tinha um ar de dever cumprido e satisfação que a gente identifica de cara.
É a lindeza da mamãe!
Ver a Pandora descobrindo uma nova forma de ver o mundo me enche de alegria. Aos poucos, ela também vai aprendendo a lidar com a ausência. Ainda me olha, como se perguntasse cadê a mãezinha dela que não vem. Quando eu choro, ela me traz um presente, um osso, uma bolinha, aí que eu choro mesmo. Mas lembro que eu não posso ser egoísta e que tenho responsabilidade emocional sobre o bichinho e daí tenho que dar meu jeito, né? Tento parecer alegre, jogar a bolinha, fazer carinho, ficar risonha. Fazer?
Continuar. Desejando que a vida possa me surpreender e ser cada vez melhor.
Porque essa parece a fase mais difícil do jogo, aquela que você, gamer, tem vontade de abandonar e tentar outro. Mas gosto desse jogo, vou sair dessa fase sem usar código pra facilitar nem pular pra não ver passar.
Quem gosta de jogos sabe: não adianta pular uma fase, a seguinte será sempre mais difícil mesmo.
O jeito é jogar!
:)
Beijos, Paz e Luz



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